ULTOMIRIS (RAVULIZUMABE) 300MG/30ML INJ ALEXION
ULTOMIRIS 300mg/30ml Injection Alexion
- Princípio ativo
- Ravulizumabe
- Nome comercial
- Ultomiris®
- Fabricante
- Alexion Pharmaceuticals, Inc. (AstraZeneca)
- Forma farmacêutica
- Solução concentrada para infusão intravenosa
- Apresentação
- Frasco-ampola 300 mg/30 mL (10 mg/mL)
- Conservação
- Refrigerado entre +2 °C e +8 °C. Não congelar.
- Código ATC
- L04AA43
- Via de administração
- Exclusivamente intravenosa, em ambiente hospitalar
Sobre o Medicamento
O Ultomiris® (ravulizumabe) é um anticorpo monoclonal humanizado recombinante do subtipo IgG2/4? desenvolvido para inibir de forma seletiva o complemento terminal. Resulta da engenharia molecular do eculizumabe, com modificações estruturais que prolongam sua meia-vida plasmática de aproximadamente 11 dias para cerca de 49 a 50 dias em adultos, reduzindo a frequência das infusões necessárias. O ravulizumabe é produzido em células de ovário de hamster chinês (CHO) por tecnologia de DNA recombinante.
Mecanismo de Ação
O ravulizumabe liga-se com alta afinidade à proteína C5 do sistema complemento, impedindo sua clivagem nas frações C5a (pró-inflamatória) e C5b. Com isso, bloqueia a formação do complexo de ataque à membrana (MAC ou C5b-9), responsável pela lise de células sanguíneas e de células endoteliais mediada pelo complemento. As etapas iniciais da cascata do complemento, dependentes de C3b e C4b, são preservadas, mantendo parcialmente as funções imunológicas inatas do organismo.
A meia-vida prolongada decorre de duas modificações: alterações na região Fc que aumentam a reciclagem via receptor neonatal FcRn, e uma ligação ao C5 dependente de pH, permitindo que o anticorpo se dissocie do alvo no ambiente ácido dos endossomos e seja reciclado para a circulação.
Indicações Aprovadas
O ravulizumabe possui aprovação pelas principais agências regulatórias internacionais (FDA, EMA e ANVISA) para as seguintes condições:
Hemoglobinúria Paroxística Noturna (HPN) Síndrome Hemolítico-Urêmica Atípica (SHUa) Miastenia Gravis Generalizada anti-AChR+ (gMG) Neuromielite Óptica anti-AQP4+ (NMOSD)
Em adultos e crianças com peso corporal igual ou superior a 10 kg para HPN e SHUa. Para gMG e NMOSD, a indicação aprovada pela EMA e FDA é restrita a adultos. A aprovação para cada indicação no Brasil deve ser verificada junto à ANVISA e ao médico especialista responsável.
Posologia e Administração
O Ultomiris® é administrado exclusivamente por via intravenosa, em ambiente hospitalar ou clínica especializada, sob supervisão médica. O esquema posológico é definido com base no peso corporal do paciente e na indicação clínica. Em adultos com HPN, a dose de manutenção habitual é administrada a cada 8 semanas, em contraste com o intervalo quinzenal do eculizumabe.
Antes do início do tratamento, as diretrizes regulatórias recomendam vacinação contra Neisseria meningitidis (sorogrupos A, C, W, Y e B, quando disponível), em razão do risco aumentado de infecções meningocócicas associado à inibição do complemento terminal. Quando a vacinação não puder ser realizada antes do início do tratamento, deve ser administrada antibioticoterapia profilática durante pelo menos as primeiras duas semanas de tratamento.
Farmacocinética
Após administração intravenosa, o ravulizumabe atinge concentrações plasmáticas máximas ao final da infusão. A meia-vida de eliminação é de aproximadamente 49 a 50 dias em adultos com HPN, significativamente superior à do eculizumabe (aproximadamente 11 dias). O volume de distribuição é restrito predominantemente ao compartimento vascular. A eliminação ocorre por catabolismo proteico, sem metabolização hepática relevante. Não são descritas interações farmacocinéticas clinicamente significativas com medicamentos de uso convencional.
Efeitos Adversos
Os efeitos adversos mais frequentemente relatados em estudos clínicos de fase III incluem cefaleia, infecção do trato respiratório superior, náusea, diarreia, pirexia (febre) e dor abdominal. O evento adverso de maior relevância clínica é a infecção meningocócica grave, que motivou um alerta de caixa preta (black box warning) emitido pelo FDA e advertência equivalente pelas demais agências reguladoras. Pacientes em uso do medicamento devem ser monitorados quanto a sinais e sintomas de infecção meningocócica e instruídos a buscar atendimento médico imediato diante de qualquer suspeita.
Contraindicações
O ravulizumabe é contraindicado em pacientes com infecção ativa por Neisseria meningitidis não tratada e naqueles não vacinados contra meningococo, salvo em situações em que o início imediato do tratamento seja clinicamente imprescindível, com cobertura antibiótica profilática instituída simultaneamente.
Situação Regulatória
O ravulizumabe foi aprovado pelo FDA em dezembro de 2018, pela EMA em julho de 2019 e pela ANVISA no Brasil. No país, o acesso pode ocorrer por importação individualizada, processo de judicialização ou programas de acesso especial, conforme a indicação clínica e a disponibilidade local.
Perguntas Frequentes
Sim. Ambos inibem a proteína C5 do complemento, mas o ravulizumabe (Ultomiris®) possui modificações moleculares que prolongam sua meia-vida plasmática para aproximadamente 49 a 50 dias, em comparação com cerca de 11 dias do eculizumabe (Soliris®). Essa diferença permite que o Ultomiris® seja administrado a cada 8 semanas em adultos, enquanto o eculizumabe requer infusões a cada 2 semanas após a fase inicial. Estudos clínicos de fase III demonstraram que os dois medicamentos apresentam eficácia comparável no controle da hemólise em pacientes com HPN.
De acordo com as aprovações regulatórias do FDA e da EMA, o ravulizumabe está indicado em pacientes com peso corporal igual ou superior a 10 kg para as indicações de HPN e SHUa, o que inclui crianças a partir de 1 mês de idade nesse critério de peso. Para gMG e NMOSD, as aprovações atuais são restritas a adultos. O uso em faixas etárias específicas deve sempre ser avaliado e indicado pelo médico especialista.
Não. O ravulizumabe é um tratamento de controle, não uma cura para a HPN nem para a SHUa. Ele atua suprimindo a atividade do complemento terminal que causa a destruição das células sanguíneas e os danos aos órgãos característicos dessas doenças. Nos estudos clínicos, o tratamento contínuo com ravulizumabe demonstrou redução significativa dos episódios de hemólise, melhora dos parâmetros hematológicos e redução do risco de complicações tromboembólicas. A interrupção do tratamento pode levar à recorrência dos sintomas.
Sim. As agências regulatórias internacionais (FDA e EMA) e as diretrizes clínicas recomendam que todos os pacientes sejam vacinados contra Neisseria meningitidis antes de iniciar o tratamento com ravulizumabe ou outro inibidor do complemento terminal, em razão do risco aumentado de infecções meningocócicas graves. Quando a vacinação não puder ser realizada previamente, o médico responsável deve instituir antibioticoprofilaxia até que a vacinação seja possível. O médico especialista é o profissional indicado para orientar o calendário vacinal adequado a cada caso.
Não de forma habitual. O ravulizumabe é administrado por infusão intravenosa e requer monitoramento durante e após a administração, razão pela qual o procedimento é realizado em ambiente hospitalar ou clínica especializada, sob supervisão médica. Pesquisas sobre formulações subcutâneas estão em andamento, mas até o momento apenas a apresentação intravenosa possui aprovação regulatória para uso clínico.
O valor do Ultomiris® depende de diversos fatores, como o esquema posológico prescrito pelo médico (que varia conforme o peso do paciente e a indicação clínica), a quantidade de frascos necessários por ciclo de tratamento, os custos de importação e logística internacional (incluindo frete refrigerado e taxas alfandegárias), além da variação cambial vigente no momento da cotação. Por essas razões, não é possível informar um preço fixo. Para obter uma cotação atualizada e personalizada para a sua situação, utilize o botão "Solicitar Cotação" ou entre em contato diretamente com a equipe da Centermedh.
A cobertura pelo sistema público ou privado de saúde depende da indicação clínica, da documentação apresentada e das regras vigentes de cada operadora ou do Ministério da Saúde. Alguns pacientes acessam o medicamento por meio de ação judicial (judicialização) ou de programas de acesso especial da ANVISA. Recomenda-se consultar o médico assistente e, se necessário, um profissional especializado em direito à saúde para avaliar as alternativas de acesso disponíveis para cada situação.
O processo de importação de medicamentos para uso pessoal no Brasil é regulamentado pela RDC 81/2008 da ANVISA. Em geral, são necessários: documento de identidade e CPF do paciente, receita médica com nome completo do paciente e especificação do medicamento, comprovante de residência atualizado e relatório médico justificando a necessidade do tratamento. Documentos adicionais podem ser solicitados conforme as normas vigentes. A equipe da Centermedh orienta os pacientes em todo o processo de importação.
- Lee JW, et al. Ravulizumab (ALXN1210) vs eculizumab in adult patients with PNH naive to complement inhibitors. Blood. 2019;133(6):530-539. doi:10.1182/blood-2018-09-876136
- Kulasekararaj AG, et al. Ravulizumab (ALXN1210) vs eculizumab in C5-inhibitor-experienced adult patients with PNH. Blood. 2019;134(22):1912-1923. doi:10.1182/blood.2019002080
- Röth A, et al. Ravulizumab (ALXN1210) in patients with paroxysmal nocturnal hemoglobinuria. NEJM Evidence. 2020. doi:10.1056/EVIDoa2100005
- European Medicines Agency (EMA). Ultomiris (ravulizumab): EPAR — Medicine overview. Authorised 2019, last updated 2023. ema.europa.eu/en/medicines/human/EPAR/ultomiris
- U.S. Food and Drug Administration (FDA). Ultomiris (ravulizumab-cwvz) Prescribing Information. 2023. accessdata.fda.gov
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Registro de medicamentos. consultas.anvisa.gov.br