ULTOMIRIS (RAVULIZUMABE) 300MG/30ML INJ ALEXION
ULTOMIRIS 300mg/30ml Injection Alexion
- Princípio ativo
- Ravulizumabe
- Nome comercial
- Ultomiris®
- Fabricante
- Alexion Pharmaceuticals, Inc. (AstraZeneca)
Sobre o Medicamento
O Ultomiris® (ravulizumabe) é um anticorpo monoclonal humanizado recombinante do subtipo IgG2/4? desenvolvido para inibir de forma seletiva o complemento terminal. Resulta da engenharia molecular do eculizumabe, com modificações estruturais que prolongam sua meia-vida plasmática de aproximadamente 11 dias para cerca de 49 a 50 dias em adultos, reduzindo a frequência das infusões necessárias. O ravulizumabe é produzido em células de ovário de hamster chinês (CHO) por tecnologia de DNA recombinante.
Mecanismo de Ação
O ravulizumabe liga-se com alta afinidade à proteína C5 do sistema complemento, impedindo sua clivagem nas frações C5a (pró-inflamatória) e C5b. Com isso, bloqueia a formação do complexo de ataque à membrana (MAC ou C5b-9), responsável pela lise de células sanguíneas e de células endoteliais mediada pelo complemento. As etapas iniciais da cascata do complemento, dependentes de C3b e C4b, são preservadas, mantendo parcialmente as funções imunológicas inatas do organismo.
A meia-vida prolongada decorre de duas modificações: alterações na região Fc que aumentam a reciclagem via receptor neonatal FcRn, e uma ligação ao C5 dependente de pH, permitindo que o anticorpo se dissocie do alvo no ambiente ácido dos endossomos e seja reciclado para a circulação.
Indicações Aprovadas
O ravulizumabe possui aprovação pelas principais agências regulatórias internacionais (FDA, EMA e ANVISA) para as seguintes condições:
Em adultos e crianças com peso corporal igual ou superior a 10 kg para HPN e SHUa. Para gMG e NMOSD, a indicação aprovada pela EMA e FDA é restrita a adultos. A aprovação para cada indicação no Brasil deve ser verificada junto à ANVISA e ao médico especialista responsável.
Posologia e Administração
O medicamento é administrado exclusivamente por via intravenosa, em ambiente hospitalar ou clínica especializada, sob supervisão médica. O esquema posológico é definido com base no peso corporal do paciente e na indicação clínica. Em adultos com HPN, a dose de manutenção habitual é administrada a cada 8 semanas, em contraste com o intervalo quinzenal do eculizumabe.
Antes do início do tratamento, as diretrizes regulatórias recomendam vacinação contra Neisseria meningitidis (sorogrupos A, C, W, Y e B, quando disponível), em razão do risco aumentado de infecções meningocócicas associado à inibição do complemento terminal. Quando a vacinação não puder ser realizada antes do início do tratamento, deve ser administrada antibioticoterapia profilática durante pelo menos as primeiras duas semanas de tratamento.
Farmacocinética
Após administração intravenosa, o ravulizumabe atinge concentrações plasmáticas máximas ao final da infusão. A meia-vida de eliminação é de aproximadamente 49 a 50 dias em adultos com HPN, significativamente superior à do eculizumabe (aproximadamente 11 dias).
Efeitos Adversos
Os efeitos adversos mais frequentemente relatados em estudos clínicos de fase III incluem cefaleia, infecção do trato respiratório superior, náusea, diarreia, pirexia (febre) e dor abdominal. O evento adverso de maior relevância clínica é a infecção meningocócica grave, que motivou um alerta de caixa preta (black box warning) emitido pelo FDA e advertência equivalente pelas demais agências reguladoras.
Contraindicações
O ravulizumabe é contraindicado em pacientes com infecção ativa por Neisseria meningitidis não tratada e naqueles não vacinados contra meningococo, salvo em situações em que o início imediato do tratamento seja clinicamente imprescindível, com cobertura antibiótica profilática instituída simultaneamente.
Situação Regulatória
O ravulizumabe foi aprovado pelo FDA em dezembro de 2018, pela EMA em julho de 2019 e pela ANVISA no Brasil. No país, o acesso pode ocorrer por importação individualizada, processo de judicialização ou programas de acesso especial, conforme a indicação clínica e a disponibilidade local.
Perguntas Frequentes
Não. O ravulizumabe é um tratamento de controle, não uma cura para a HPN nem para a SHUa. Ele atua suprimindo a atividade do complemento terminal que causa a destruição das células sanguíneas e os danos aos órgãos característicos dessas doenças. Nos estudos clínicos, o tratamento contínuo com ravulizumabe demonstrou redução significativa dos episódios de hemólise, melhora dos parâmetros hematológicos e redução do risco de complicações tromboembólicas. A interrupção do tratamento pode levar à recorrência dos sintomas.