DAPSONE 100 MG TABS FR 28
100 MG TABS FR 28
O que é a Dapsona (Dapsone)?
A Dapsona, cujo nome genérico é dapsone, é um agente antibacteriano da classe das sulfonas, utilizado há décadas no tratamento de infecções bacterianas e de condições inflamatórias da pele. A apresentação disponível nesta embalagem consiste em 28 comprimidos de 100 mg, para administração por via oral.
A dapsona é um medicamento estabelecido na medicina com uma longa trajetória clínica. Seu uso no tratamento da hanseníase (doença de Hansen) remonta à década de 1940, e ao longo do tempo suas indicações foram ampliadas para incluir outras condições dermatológicas e infecciosas, com base em evidências científicas acumuladas.
Mecanismo de Ação
A dapsona exerce seu efeito antibacteriano principalmente por meio da inibição competitiva da síntese do ácido dii-hidrofólico nas bactérias, um mecanismo análogo ao das sulfonamidas. Ao bloquear a enzima dii-hidropteroato sintase, a dapsona impede que as bactérias sintetizem folato, um nutriente essencial para a sua multiplicação. Esse mecanismo é eficaz contra o Mycobacterium leprae, agente causador da hanseníase.
Além de seu efeito antibacteriano, a dapsona possui propriedades anti-inflamatórias clinicamente relevantes. Acredita-se que iniba a ativação dos neutrófilos e a liberação de espécies reativas de oxigênio, o que explica sua eficácia em condições dermatológicas como a dermatite herpetiforme, nas quais a resposta imune mediada por IgA e a infiltração neutrofílica têm papel central na fisiopatologia.
Do ponto de vista metabólico, a dapsona é metabolizada por acetilação hepática, principalmente pela enzima N-acetiltransferase. Polimorfismos nessa enzima (acetiladores lentos versus rápidos) podem influenciar a susceptibilidade a efeitos adversos, como neuropatia periférica, especialmente em pacientes com acetilação lenta.
Indicações Terapêuticas
De acordo com a literatura científica e as agências regulatórias internacionais, as principais indicações da dapsona incluem:
- Hanseníase (doença de Hansen): utilizada em todos os tipos clínicos da doença, exceto nos casos de resistência comprovada à dapsona. Faz parte dos esquemas poliquimioterápicos (PQT) recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS);
- Dermatite herpetiforme (DH): doença bolhosa autoimune associada à sensibilidade ao glúten, em que a dapsona promove rápido alívio dos sintomas cutâneos (prurido e lesões vesiculosas);
- Acne vulgar: formulações tópicas de dapsona são aprovadas pelo FDA para o tratamento de acne, sendo a dapsona oral utilizada em casos selecionados;
- Pneumonia por Pneumocystis jirovecii (PCP): utilizada como profilaxia e tratamento em pacientes imunossuprimidos, como portadores de HIV/AIDS com contagem de CD4 reduzida;
- Outras condições dermatológicas: pioderma gangrenoso, vasculite leucocitoclástica e outras dermatoses neutrofílicas (uso investigacional).
Farmacocinética
A dapsona é bem absorvida por via oral, com biodisponibilidade de aproximadamente 70 a 80%. Apresenta meia-vida de eliminação longa, entre 10 e 50 horas, o que permite administração em dose única diária. É amplamente distribuída pelos tecidos e metabolizada principalmente no fígado, sendo excretada predominantemente pelos rins.
A dapsona sofre ciclo êntero-hepático, o que prolonga sua presença no organismo. O metabolismo por acetilação resulta na formação de monoacetildapsona (MADDS), que também possui atividade antibacteriana. O status de acetilador (lento ou rápido) do paciente pode influenciar tanto a eficácia quanto o risco de toxicidade.
Efeitos Adversos
Os efeitos adversos mais relevantes da dapsona incluem anemia hemolítica e metemoglobinemia, que ocorrem com frequência variável dependendo da dose e de fatores individuais, como deficiência de glucose-6-fosfato desidrogenase (G6PD). A triagem para deficiência de G6PD é recomendada antes do início do tratamento, pois esses pacientes apresentam risco aumentado de hemólise grave.
A neuropatia periférica de predomínio motor, embora incomum, é uma complicação neurológica descrita na literatura. Os sintomas podem surgir de meses a anos após o início do tratamento e geralmente regridem após a descontinuação do medicamento. Estudos eletrofisiológicos e de biópsia demonstram perda axonal.
Outros efeitos adversos descritos incluem erupções cutâneas, anorexia, náuseas, hepatotoxicidade (elevação de enzimas hepáticas) e, raramente, a síndrome de hipersensibilidade à dapsona (reação idiossincrática grave que inclui febre, erupção cutânea generalizada e envolvimento de órgãos internos, exigindo interrupção imediata).
Interações Medicamentosas
A dapsona pode interagir com rifampicina, que aumenta o metabolismo da dapsona e reduz seus níveis plasmáticos. O trimetoprima potencializa tanto o efeito antibacteriano quanto a toxicidade da dapsona (anemia hemolítica e metemoglobinemia). O uso concomitante com outros agentes com potencial hemolítico ou que causem metemoglobinemia deve ser monitorado cuidadosamente. Probenecida pode inibir a excreção renal da dapsona, aumentando seus níveis séricos.
Perguntas Frequentes
Para que serve a Dapsona (Dapsone)?
A dapsona é utilizada principalmente no tratamento da hanseníase (doença de Hansen), em todos os seus tipos, exceto nos casos de resistência comprovada. Também é indicada para a dermatite herpetiforme e para a profilaxia de pneumonia por Pneumocystis jirovecii em pacientes imunossuprimidos. A definição da indicação e da posologia é responsabilidade exclusiva do médico prescritor.
A Dapsona cura a hanseníase?
A dapsona, em combinação com outros medicamentos (esquema poliquimioterápico recomendado pela OMS), é parte do tratamento que leva à cura da hanseníase na maioria dos casos. A monoterapia com dapsona não é mais recomendada pelo risco de resistência bacteriana. A duração e o esquema do tratamento variam conforme o tipo clínico da doença e devem ser definidos pelo médico responsável.
Quais são os principais efeitos colaterais da Dapsona?
Os efeitos adversos mais comuns incluem anemia hemolítica (destruição de glóbulos vermelhos) e metemoglobinemia (alteração da hemoglobina que reduz o transporte de oxigênio). Erupções cutâneas, náuseas e alterações hepáticas também podem ocorrer. Em casos raros, pode ocorrer neuropatia periférica e a síndrome de hipersensibilidade à dapsona, que exige interrupção imediata. Todo efeito adverso deve ser comunicado ao médico responsável.
Quem tem deficiência de G6PD pode usar Dapsona?
Pacientes com deficiência da enzima glucose-6-fosfato desidrogenase (G6PD) têm risco aumentado de desenvolver anemia hemolítica grave com o uso da dapsona. A triagem para essa deficiência é recomendada antes do início do tratamento. A decisão sobre o uso em pacientes com deficiência de G6PD deve ser feita pelo médico, com avaliação individualizada do risco-benefício e monitoramento rigoroso.
A Dapsona pode ser usada durante a gravidez?
O uso da dapsona durante a gravidez requer avaliação cuidadosa do risco-benefício pelo médico. Em gestantes com hanseníase, o tratamento com poliquimioterapia é habitualmente mantido, pois os riscos da doença não tratada são considerados maiores que os riscos do medicamento. No último mês de gestação, a dapsona pode ser temporariamente suspensa pelo risco de metemoglobinemia neonatal. A decisão final compete ao médico responsável.
Qual a diferença entre Dapsona oral e tópica?
A dapsona oral (comprimidos) é utilizada no tratamento sistêmico da hanseníase, dermatite herpetiforme e outras indicações que exigem ação em todo o organismo. A dapsona tópica (gel), por sua vez, é aprovada pelo FDA para o tratamento local da acne vulgar, com absorção sistêmica mínima e perfil de segurança distinto da forma oral. A escolha da formulação é determinada pelo médico de acordo com a indicação clínica.
Qual o preço do Dapsone 100 mg?
O preço do Dapsone 100 mg pode variar conforme o país de origem, os custos de importação, tributos alfandegários, frete internacional e taxas regulatórias aplicáveis no Brasil. Por se tratar de um medicamento importado, o valor final depende das condições vigentes no momento da cotação. Para obter informações precisas sobre o custo, solicite uma cotação diretamente ao nosso time de especialistas por meio do formulário ou WhatsApp disponíveis nesta página.
Fontes
- DrugBank Online. Dapsone (DB00250). Disponível em: drugbank.com
- Wiesman JF, Feldman RG. Drug-Induced Peripheral Neuropathies. In: Office Practice of Neurology, 2nd ed. Elsevier/ScienceDirect, 2003.
- PubChem. Dapsone (CID 2955). National Library of Medicine. Disponível em: pubchem.ncbi.nlm.nih.gov
- DailyMed. DAPSONE 100 MG tablets. U.S. National Library of Medicine. Disponível em: dailymed.nlm.nih.gov
- World Health Organization (WHO). Guidelines for the diagnosis, treatment and prevention of leprosy. WHO, 2018. Disponível em: who.int
- U.S. Food and Drug Administration (FDA). Dapsone. Disponível em: fda.gov
- ScienceDirect Topics. Dapsone. Elsevier. Disponível em: sciencedirect.com
Aviso Importante
As informações apresentadas nesta página têm caráter exclusivamente informativo e educacional. Elas não substituem, em nenhuma circunstância, a avaliação, o diagnóstico ou a prescrição de um médico ou profissional de saúde devidamente habilitado. O uso da dapsona requer prescrição médica, acompanhamento clínico e laboratorial periódico. A automedicação com este produto é extremamente perigosa e pode causar efeitos adversos graves, incluindo anemia hemolítica e reações de hipersensibilidade potencialmente fatais. Antes de iniciar, alterar ou interromper qualquer tratamento, consulte sempre um profissional de saúde. Este site atua em conformidade com a RDC n.º 96/2008 da ANVISA.