BRACANAT (OLAPARIBE) 150MG 30 COMPRIMIDOS NATCO
CONTÉM 150MG POR COMPRIMIDO
O que é o Olaparibe?O olaparibe (denominação comum internacional: olaparib) é um fármaco antineoplásico oral pertencente à classe dos inibidores de PARP (poli ADP-ribose polimerase). Desenvolvido orig...
O que é o Olaparibe?
O olaparibe (denominação comum internacional: olaparib) é um fármaco antineoplásico oral pertencente à classe dos inibidores de PARP (poli ADP-ribose polimerase). Desenvolvido originalmente pela AstraZeneca, recebeu aprovação pioneira pela EMA em dezembro de 2014 e pelo FDA dos EUA no mesmo ano, tornando-se o primeiro inibidor de PARP aprovado para uso clínico no mundo. [1][2]
Sua fórmula molecular é C24H23FN4O3, com peso molecular de 434,47 g/mol. O código ATC atribuído é L01XK01. Apresenta-se em comprimidos para administração oral, disponível em concentrações de 100 mg e 150 mg. [2]
Mecanismo de Ação: Letalidade Sintética
As enzimas PARP (especialmente PARP-1 e PARP-2) são fundamentais no reparo de quebras simples na fita de DNA. Ao inibi-las, o olaparibe impede a correção desse tipo de dano, que se converte em quebras de dupla fita durante a replicação celular. Em células normais, essas lesões são corrigidas pela via de recombinação homóloga (HR), dependente das proteínas BRCA1 e BRCA2. [1][3]
Células tumorais portadoras de mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2 — ou com outras deficiências na via HR — não conseguem utilizar esse mecanismo de reparo alternativo. O acúmulo de danos letais no DNA induz a morte dessas células por apoptose. Esse fenômeno é denominado letalidade sintética: a combinação de duas deficiências geneticamente distintas (mutação BRCA + inibição de PARP) resulta em morte celular seletiva, com menor toxicidade para tecidos sadios. [1][2][3]
Indicações Clínicas com Aprovação Regulatória
O olaparibe possui aprovação do FDA (EUA) e da EMA (União Europeia) para as seguintes indicações em adultos [1][2]:
- Câncer de Ovário / Tuba Uterina / Peritônio: terapia de manutenção após quimioterapia com platina (1ª linha ou recidiva); em combinação com bevacizumabe em pacientes HRD positivo. Condição molecular: mutação BRCA1/2 germinal ou somática; ou HRD positivo.
- Câncer de Mama HER2-negativo: adjuvância em alto risco precoce e doença metastática. Condição molecular: mutação germinal BRCA1/2.
- Adenocarcinoma de Pâncreas Metastático: manutenção após 1ª linha com platina (mínimo 16 semanas sem progressão). Condição molecular: mutação germinal BRCA1/2.
- Câncer de Próstata Metastático Resistente à Castração (mCRPC): monoterapia após progressão a agente hormonal de nova geração; ou combinado com abiraterona + prednisona. Condição molecular: mutação BRCA1/2 germinal ou somática.
- Câncer de Endométrio: manutenção em combinação com durvalumabe após quimioterapia + durvalumabe. Condição molecular: pMMR (mismatch repair proficient).
Evidências Clínicas: Resultados dos Estudos Pivotais
Os ensaios clínicos randomizados que embasam as aprovações regulatórias demonstraram benefício significativo em sobrevida livre de progressão (SLP) [2]:
- SOLO2 — Ovário recidivante (n=295): SLP mediana de 19,1 meses vs. 5,5 meses (placebo) — HR 0,30; IC95% 0,22–0,41.
- SOLO1 — Ovário avançado 1ª linha com BRCA (n=391): ausência de progressão em ~74% dos pacientes tratados por 2 anos vs. 35% no placebo.
- OlympiAD — Mama metastática HER2- (n=302): SLP mediana de 7,0 meses vs. 4,2 meses — HR 0,58; IC95% 0,43–0,80.
- POLO — Pâncreas metastático (n=154): SLP mediana de 7,4 meses vs. 3,8 meses — HR 0,53; IC95% 0,35–0,82.
- PROfound — Próstata mCRPC com BRCA1/2 (n=387): SLP mediana de 9,8 meses vs. 3,0 meses — HR 0,22; IC95% 0,15–0,32.
Posologia e Forma de Administração
O olaparibe é administrado por via oral na dose padrão de 300 mg duas vezes ao dia (600 mg/dia total), com ou sem alimentos. O tratamento é mantido enquanto houver benefício clínico documentado e ausência de toxicidade inaceitável. Em câncer de mama precoce, a duração é limitada a 12 meses. Reduções de dose para 250 mg ou 200 mg duas vezes ao dia são indicadas no manejo de eventos adversos. [2]
Perfil de Segurança e Efeitos Adversos
Os efeitos adversos mais frequentes (incidência superior a 10% dos pacientes), conforme avaliação da EMA [2]:
- Náusea, vômitos, diarreia e dispepsia
- Fadiga e astenia
- Anemia, neutropenia, leucopenia e trombocitopenia
- Diminuição do apetite, cefaleia, tontura e disgeusia (alteração do paladar)
- Tosse e dispneia
Um risco raro, porém clinicamente relevante, é o desenvolvimento de síndrome mielodisplásica (SMD) ou leucemia mieloide aguda (LMA), observado em menos de 2% dos pacientes. Mulheres devem evitar amamentar durante o tratamento e por pelo menos 1 mês após a última dose. [2]
Testes Genéticos e Biomarcadores
Para a maioria das indicações aprovadas, é necessária a confirmação laboratorial de mutação nos genes BRCA1 ou BRCA2 (germinal e/ou somática) por testes moleculares validados. Em determinadas indicações de câncer de ovário, o critério pode ser ampliado para pacientes com HRD positivo (deficiência de recombinação homóloga), avaliado por análise de instabilidade genômica. A seleção e interpretação do biomarcador devem ser realizadas por profissional especializado. [1][2][3]
Fabricante e Apresentação
O BRACANAT 150 mg é fabricado pelo laboratório Natco Pharma Ltd. (Índia). Cada embalagem contém 30 comprimidos de 150 mg de olaparibe, para administração oral, conforme prescrição e orientação médica.
Fontes e Referências
- National Cancer Institute (NCI). Olaparib. U.S. Department of Health and Human Services. Atualizado em jan. 2025. Disponível em: https://www.cancer.gov/about-cancer/treatment/drugs/olaparib
- European Medicines Agency (EMA). Lynparza (olaparib) – EPAR (EMA/889990/2022). Atualizado em set. 2024. Disponível em: https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/EPAR/lynparza
- Farmer H, et al. Targeting the DNA repair defect in BRCA mutant cells as a therapeutic strategy. Nature. 2005;434(7035):917–921. DOI: 10.1038/nature03445
?? Disclaimer: As informações contidas nesta página têm caráter exclusivamente informativo e educacional, elaboradas com base em fontes científicas e regulatórias de referência. Não substituem, em hipótese alguma, a consulta, o diagnóstico ou a prescrição de um profissional de saúde habilitado. O uso do olaparibe exige avaliação médica individualizada, testes genéticos específicos, receita médica válida e acompanhamento oncológico especializado. A Centermedh não realiza indicação terapêutica e não se responsabiliza pelo uso inadequado das informações aqui apresentadas. Em caso de dúvidas sobre seu tratamento, consulte seu médico ou equipe oncológica.O olaparibe é um medicamento oncológico pertencente à classe dos inibidores da enzima PARP (poli ADP-ribose polimerase), utilizado principalmente no tratamento de carcinomas de ovário, mama, próstata e pâncreas que apresentam mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2. Seu mecanismo de ação baseia-se no princípio da letalidade sintética: ao bloquear a enzima PARP, que é responsável pelo reparo de danos simples no DNA, o medicamento impede que as células cancerosas (já deficientes em outros mecanismos de reparo devido à mutação BRCA) consigam se recuperar, levando-as à morte celular programada. Por ser uma terapia alvo, ele oferece uma abordagem mais direcionada do que a quimioterapia convencional, focando especificamente em vulnerabilidades genéticas do tumor.